Ontem, cerca de 250 pessoas participaram numa marcha silenciosa que terminou na rotunda do hospital. Ana Mota, uma das pessoas que organizou o protesto, frisou que “a população juntou-se pela falta de confiança existente nos cuidados de saúde locais”.
Carla terá contraído uma gripe a 25 de Março. “Com o agravar do seu estado de saúde, a minha filha recorreu ao Centro de Saúde da Praia da Vitória”, contou o pai, ontem no final da marcha silenciosa.
“Foi-lhe feita uma radiografia e receitados comprimidos para a gripe. A 30 de Março, depois de vir da escola, tinha um mal-estar terrível, umas dores fortes no peito e uma respiração muito pesada. Tinha dificuldade em respirar.”
SEM RADIOGRAFIA
No Serviço de Urgência do Hospital de Angra do Heroísmo, segundo o pai, Carla foi atendida perto da meia-noite. “A médica não lhe fez qualquer radiografia. Só receitou um xarope e comprimidos para a gripe. Já em casa, estava cada vez pior.”
No sábado de manhã, foi levada de ambulância para o hospital. Mas já era tarde. “Faleceu por volta das nove da noite. Agora, só quero apurar a verdade.”
HOSPITAL ABRE INQUÉRITO
A presidente do Conselho de Administração do Hospital Santo Espírito, de Angra do Heroísmo, Olga Freitas, mandou realizar um inquérito para apurar o que se passou no tratamento de Carla Andrade. Igual medida foi ordenada pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, Domingos Cunha.
No apuramento dos factos, também será observada a acção do Centro de Saúde da Praia da Vitória, onde terá sido feita uma radiografia alegadamente considerada limpa. “É provável que a situação já fosse visível nesse exame e por isso o inquérito terá de começar por aí”, disse ao ‘Diário Insular’ um médico “com sólida experiência”.
João Saramago








